Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Escola de ciências e tecnologia
Historia e filosofia da ciência e da tecnologia
Autor: Antônio Paulino Dantas Júnior
Escola de ciências e tecnologia
Historia e filosofia da ciência e da tecnologia
Autor: Antônio Paulino Dantas Júnior
Introdução
A metafísica é uma das questões mais enigmáticas que surgiu ao longo do tempo, pelo fato de ser algo além da ciência, pensadores renomados de diferentes épocas discutem e usam o tema para dar sentido as suas posições em relação ao mundo. Entre os pensadores posso destacar Parmênides, Aristóteles, Descartes, Immanuel Kant e outros que resgataram o tema com intuito de idealizar uma visão de mundo. Proposta
Meu propósito é fazer uma breve investigação sobre a metafísica na visão e temática de pensadores de diferentes épocas utilizando de seus projetos, trabalhos e pensamentos tentando realizar uma ligação entre cada pensamento e resgatar uma síntese da definição e regência da Metafísica. O surgimento e a evolução da Metafísica
Os pitagóricos (que acreditavam que a realidade emanava dos números e que estes geram todos os acontecimentos) deram suporte para vários pensadores e filósofos. Isso pode não ter muita relação com o que diz respeito à metafísica, porem podemos identificar alguns pensadores como Copérnico que utilizou a razão de que tudo se deriva dos números e a concepção de raciocínio indutivo e idéia regidas por Sócrates e Platão, para deduzir formulas que desvendam coisas além do que se possa ver.Para se chegar a idéia de metafísica (que designa o que cada coisa é e a que classe pertence cada coisa) foi preciso à organização de idéias de vários pensadores começando provavelmente por Parmênides que dividia a essência ou idéia da realidade. Provavelmente esses pensamentos levaram Sócrates a usar sua famosa forma de confundir as pessoas com a história de definição universal.
Porém, a maior contribuição de Sócrates na verdade foi o método do raciocínio indutivo que foi o que induziu a divisão de conceitos e classes entre coisas materiais e abstratas que estão sendo descobertas até hoje.
A visão de Sócrates levou Platão a ter o pensamento e conceito de idéia, que leva a percepção de que tudo o que vemos e pensamos veio a partir de uma idéia registrada em nossa alma a partir da linguagem falada (quem não consegue pensar em um elefante após ler esta frase?).
Foi Aristóteles quem deu inicio a um dos primeiros trabalhos sobre metafísica, nesse projeto apresenta-se o objetivo de investigação da metafísica que examina o que pode ser afirmado sobre qualquer coisa que existe por causa de sua existência e não por causa de alguma qualidade especial que se tenha, também aborda os diferentes tipos de formas e matéria, causas, a existência dos objetos matemáticos e Deus como o senhor do universo.
Aristóteles também definiu quatro causas exemplificadas a seguir:
Causa formal — é a forma ou essência das coisas.
Causa material — é a matéria de que é feita uma coisa.
Causa eficiente — é a origem das coisas.
Causa final — é a razão de algo existir.
Não se pode deixar de explicitar a pessoa que organizou o trabalho de Aristóteles, Andrônico de Rodes organizou a coleção da obra de Aristóteles, e deu o nome de “ta metà ta physiká” ao conjunto de textos que se seguiam aos da física no século 50 a.C ("metà" quer dizer além).
Na Idade Moderna Santo Tomás de Aquino afirma que a metafísica estuda a causa primeira, e, como a causa primeira é Deus, ele é o objeto da metafísica. A experiência passa a ser extremamente valorizada e a metafísica deixa de ser considerada apenas a base do conhecimento filosófico.
Descartes realizou um projeto que segue a principio as idéias de Platão, quando promove a idéia de encontrar e bloquear os mecanismos pelos quais nós nos enganamos e tomamos o falso pelo verdadeiro. Isso poderia ser bloqueado conseguindo uma verdade indubitável. Ele cita que muitas vezes nossas sensações são enganadoras e nos leva a pensar algo que na verdade não tem sentido. Dessa forma ele refuta Aristóteles que diz que a sensação é fundamental para o conhecimento.
David Hume retrata que o homem está completamente submetido aos sentidos, portanto não pode criar idéias, e não é possível formular nenhuma teoria geral da realidade. Para ele, ciência alguma é capaz de atingir a verdade, seus conhecimentos são sempre probabilísticos.
Immanuel Kant (século XVIII) afirma que o domínio da razão e o rigor científico podem recriar a metafísica, como conjunto dos conhecimentos dados, utilizando a razão, sem utilizar os dados da experiência. Nesse sentido, a metafísica para Kant reduz-se ao estudo das condições e limites do conhecimento.
Auguste Comte (século XIX) coloca a metafísica como uma ciência espécie de teologia debilitada em seu discurso sobre o positivismo e propõe “A lei dos três Estados” (teológico – metafísico - positivo) que retrata o conhecimento humano em três fases que se opõem indagando que o regime metafísico tende a uma vã reestruturação do estado teológico para satisfazer ás condições da ordem, ou para gerar uma situação puramente negativa, a fim de escapar do domínio opressivo da teologia. Ele coloca o positivismo (ou a ciência) como o mais forte e consistente, pois tudo que é escrito pela ciência tem de ser antes provado.
O filósofo alemão Martin Heidegger (século XX) faz uma revisão da história da metafísica e sustenta que ela confunde o estudo do ser, o verdadeiro objeto da filosofia, com outros temas, como a idéia, a natureza e a razão.
Karl Popper acredita que a metafísica pode ser válida, mas é preciso critérios para organizá-la de forma a torná-la não tanto ilusória. “Uma tarefa da lógica do conhecimento é elaborar um conceito de ciência empírica” (Karl Popper). As suas idéias confrontavam um pouco com as idéias de Auguste Comte sobre o positivismo.
Essa pequena prévia da discussão de grandes pensadores sobre a questão da metafísica caracteriza um confronto de idéias como: o positivismo de Comte com a lógica da pesquisa de Popper, a falta de fé nas sensações de Descartes (que segue também o principio de Platão) versus o julgamento de Aristóteles ao dizer que as sensações são fundamentais para o conhecimento. Por outro lado temos um pensamento continuado ao resgatarmos a divisão entre essência e realidade de Parmênides, o método do raciocínio indutivo de Sócrates, o conceito de idéia de Platão, a definição das causas de Aristóteles, entre outros derivados desse raciocínio que apesar de vermos algumas diferenças nota-se que todos seguem um principio e concordam que a metafísica é algo que vai além da física e que tem a função de agir no que a ciência não pode se envolver, como as questões divinas e essências das coisas.
Conclusão
Ao detectar que os pensadores estão em constante embate sobre a definição e regência da própria metafísica, posso inferir que ela nada mais é do que uma ilusão temporária que se confunde com as noções que temos em momentos lúcidos. É algo intangível em que se cria uma ilusão sobre a existência e razão das coisas. É apenas uma forma de se dizer o que se pensa e acreditar que está certo sem necessitar de uma comprovação científica. Pode ser uma maneira muito útil de se escapar das questões lógicas da ciência e entrar em mundo completamente imaginário.Referências
A lógica da pesquisa científica - Popper, Karl; Editora Cultrix-LTDA; São Paulo- SP; 1993.
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